Como calcular o ROI de um software de última milha
O ROI de um software de entregas não se mede em quilômetros. Ele se mede nas horas que sua equipe gasta planejando, atendendo ligações e resolvendo ocorrências, e no quanto custa quando tudo depende de uma só pessoa.


Por Xavier Ruiz
Fundador da Routal. Ajudo empresas a otimizar a sua logística através de IA e metodologias Lean. LinkedIn
Quando alguém propõe um software de entregas, a diretoria pergunta quanto ele economiza. A resposta de sempre é quilômetros e diesel: a conta mais fácil e a que menos pesa.
Na entrega urbana, o dia de rota é pago principalmente pelo motorista e pela van (fizemos as contas em custos operacionais na última milha). O dinheiro de verdade está nas horas das pessoas que sustentam a operação e no quanto custa quando tudo depende de uma delas.
Este artigo não promete um percentual. Ele traz as perguntas e a fórmula para você chegar ao seu com os seus números.
Por que o ROI em quilômetros fica curto
Quilômetros são fáceis de medir e por isso dominam a conversa. Uma operação planejada à mão perde dinheiro em outros lugares:
- O responsável pelo tráfego que chega às seis para ter as rotas prontas às oito.
- O escritório que responde o dia todo "cadê meu pedido?".
- A entrega que falha e obriga a voltar, ligar e refazer o plano.
- A semana de férias de quem planeja, que aparece em cada rota.
Nada disso aparece na nota do posto. Tudo aparece no resultado da empresa.
Os quatro itens que mexem no ROI
1. Horas de planejamento
Cronometre uma manhã normal, desde que chegam os pedidos até o último motorista ter a rota no celular.
A conta: minutos por dia × dias de operação × custo por hora de quem planeja.
Exemplo: 2 horas por dia durante 250 dias são 500 horas por ano. A 25 € a hora, são 12.500 € só para montar rotas.
Com um planejador, a maioria das operações tem as rotas em menos de cinco minutos, e o tempo passa a ser de revisão, não de montagem. Confira esse número em um teste com seus pedidos reais: explicamos como em cinco testes antes de assinar.
2. Horas de ligações de status
Cada "onde está o motorista?" leva alguns minutos, mais o tempo que quem atende precisa para voltar ao que estava fazendo.
A conta: ligações por dia × minutos por ligação × dias de operação × custo por hora.
Exemplo: 30 ligações de 4 minutos somam 2 horas por dia. Em um ano, mais 500 horas.
Com rastreamento ao vivo e um aviso automático com o horário previsto, o cliente já tem a resposta e para de ligar. Mais em rastreamento de última milha.
3. Horas de ocorrências e segundas tentativas
Uma entrega que falha não custa uma parada. Custa voltar, ligar para o cliente, achar espaço no plano de amanhã e, se houver disputa, provar o que aconteceu.
A conta: ocorrências por mês × minutos entre motorista e escritório × 12 × custo por hora.
Exemplo: 120 ocorrências por mês a 20 minutos cada somam 40 horas por mês e 480 por ano.
O comprovante de entrega com foto, assinatura e horário encerra a disputa na mesma ligação. E avisar o cliente antes evita parte das segundas tentativas, como contamos em entrega na primeira tentativa.
4. O dia em que falta quem planeja
É o item que quase ninguém conta. Se o plano vive na cabeça de uma pessoa, cada férias, cada falta e cada troca de função se pagam em hora extra, atrasos e ligações.
A conta: dias por ano em que outra pessoa planeja × horas extras e ocorrências a mais nesses dias, mais as semanas que alguém novo leva para planejar sozinho.
Exemplo: entre férias e afastamentos, outra pessoa planeja 30 dias por ano. Compare um desses dias com um dia normal e multiplique por 30.
Com o processo dentro de um sistema, o plano sai igual, esteja quem estiver. Mais em como deixar de depender de pessoas-chave.
A conta completa
Economia anual = horas recuperadas × custo por hora + custo dos dias sem quem planeja.
ROI = (economia anual menos custo anual do software) dividido pelo custo anual do software.
Com os exemplos acima, a operação gasta hoje 1.480 horas por ano em tarefas que um sistema faz ou evita:
- Planejamento: 500 horas.
- Ligações de status: 500 horas.
- Ocorrências: 480 horas.
A 25 € a hora, são 37.000 € por ano, sem contar os dias sem quem planeja. Nem todas essas horas desaparecem. As que desaparecem saem do seu teste, não deste artigo.
O preço do software é o único número que você não precisa estimar. Peça com o seu número de veículos e leve para a fórmula.
A capacidade que você não precisa comprar
Fica fora da fórmula um efeito que pesa: se cada rota faz mais paradas na mesma jornada, você cresce sem alugar outra van nem contratar outro motorista. A van na rua custa o mesmo fazendo 40 entregas ou 80, como vimos em picos de demanda sem comprar vans.
Por onde começar
Antes de falar com qualquer fornecedor, reúna cinco dados da sua operação:
- Os minutos de planejamento de uma manhã normal.
- As ligações de status de uma semana.
- As ocorrências do último mês e o tempo de cada uma.
- Os dias do ano em que outra pessoa planeja.
- O custo por hora de cada perfil envolvido.
Com isso você tem o antes. O depois sai de um teste com seus pedidos reais. Se quiser fazer a conta com a gente, solicite uma demo e montamos com os seus dados.
Perguntas frequentes
Quanto tempo um software de última milha leva para se pagar?+
Depende das suas horas, não de uma média. Some o que hoje custa planejar, atender ligações de status e resolver ocorrências, e compare com o preço para o seu número de veículos. Se o teste com seus pedidos reais não reduzir essas horas, não há retorno.
Por que não calcular o ROI com quilômetros e combustível?+
Porque na entrega urbana o dia de rota é pago principalmente pelo motorista e pela van. Um plano melhor economiza quilômetros, mas essa é a parte pequena da conta. As horas das pessoas pesam muito mais.
Que dados preciso para calcular?+
Os minutos de planejamento de uma manhã, as ligações de status de uma semana, as ocorrências do último mês com o tempo de cada uma, os dias em que outra pessoa planeja e o custo por hora de cada perfil. Com isso você tem o antes.
Como medir o risco de depender de uma só pessoa?+
Conte os dias do ano em que outra pessoa planeja e compare um deles com um dia normal: hora extra, atrasos e ligações. Se a diferença for grande, esse risco já está custando dinheiro.
A experiência do cliente entra no ROI?+
Entra, e a forma mais confiável de contar é em horas: cada "cadê meu pedido?" que não chega é tempo que sua equipe recupera. Clientes retidos são mais difíceis de provar, então comece pelo que dá para medir.
A economia em quilômetros existe, mas é a parte pequena: o ROI está nas horas das pessoas.
Conte quatro itens: planejamento, ligações de status, ocorrências e os dias em que outra pessoa planeja.
O preço do software é o único número que você não precisa estimar: peça com o seu número de veículos.
Meça o antes na sua operação e o depois em um teste com seus pedidos reais, não com um percentual genérico.

Por Xavier Ruiz
Fundador da Routal. Ajudo empresas a otimizar a sua logística através de IA e metodologias Lean. LinkedIn
Artigos relacionados
O DeCA entrou em vigor: o que muda desde 5 de outubro
Desde 5 de outubro de 2026 o documento de controle do transporte na Espanha só vale em formato eletrônico, sem período de carência. O que a fiscalização pede, quanto custa não ter o documento, quem está isento e o que fazer se você ainda não está pronto.
Por Pablo Martinez
O que é um MCP e o que ele pode fazer pela sua operação
Google Maps, Shopify, WooCommerce e Business Central já têm o seu, e em julho de 2026 saiu uma nova versão do padrão. O que é um MCP, o que dá para pedir, o que não faz e como conectar.
Por Óscar Blázquez
Comprovante de entrega no celular do motorista: como implantar
Se os canhotos só chegam ao escritório no fim do dia, resolver uma reclamação leva dias. Veja como implantar o comprovante de entrega no celular do motorista, que evidência pedir a cada tipo de cliente e como saber o que foi entregue sem ligar para ninguém.
Por Pablo Martinez
Menos incêndios. Mais controle diário.
Se desejar, podemos fazer uma demonstração adaptada à sua operação.


